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sexta-feira, abril 14, 2017



Sei que  está previsto para distribuição comercial, e não percam, não percam mesmo, o notável  # In Guerra per Amore# de Pierfrancesco Diliberto, que ontem vi no encerramento da 10ª Festa do Cinema Italiano
É um filme que enche a sala de emoção. Bons actores, boa direcção dos mesmos, cenários e espaços (alguns a encherem quem lá esteve de recordações de uma ilha mágica, a Sicília!, se não conhecem a não perder....), uma história verdadeira por detrás da trama que dá corpo ao enredo, o apoio da Mafia aos americanos para a invasão da Sicília a troco, a troco da impunidade e do benefício que foi, com a Democracia Cristã, alapar o poder na ilha, até mesmo a tempos muito recentes.
Um personagem, o capo, chefe, da Mafia local, que é um mimo, seja na caracterização, seja no discurso, dois personagens que parecem saídos dos “Feios, porcos e maus” do Ettore Scola, e com grande humor e humanidade (palavras com a mesma raiz!) fantásticos e uma estória de amor, contra a maldade e os arranjos e arranjinhos.
Mas é também sobre a corrupção, a corrupção social e logo política que este filme se esmera, e este ano quando se afiam facas para o bodo autárquico é muito apropriado pensarmos no Clientelismo, foco de toda a degenerescência do sistema democrático e da sua perversão.


Não basta fazer colóquios e conversas sobre a abstenção e estigmatizá-la como nódoa da/na participação quando as lógicas desta, a transparência e liberdade nos partidos e também nos grupos de cidadãos, muitas vezes emanações dos piores desvarios de populismo e autoritarismo e até de indiciados criminalmente ou mesmo bandidos ( que abundam em certos partidos) , pois a transparência, a liberdade e um quadro de discussão séria sobre programas e intenções não existe, ou é rasgado na volta da esquina.

Terminou hoje, em Lisboa a
ilustrada com este fantástico cartaz do Milo Manara.
Com o domínio quase total dos nossos cinemas pela chicória dos States, são os festivais de cinema que nos indicam ou nos trazem o melhor cinema que vemos nas nossas salas.
Assim com a Judaica este do cinema italiano tem alta qualidade e um alcance maior que o dos "movies", embora ainda possa melhorar, nomeadamente na área da literatura e outras que essas sim já integra, como a música, a gastronomia ou marginais como a pintura ou os comics.
Hoje, aqui, em Lisboa que ainda há extensões, tivemos um excelente filme, que comentarei em próxima crónica e que desde já registo como uma óptima base para discutir a infecta corrupção, que sai por todos os poros na Sicilia, mas da qual estamos longe, muito longe de estar impolutos.
Amanhã falamos.