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terça-feira, setembro 13, 2016

Estive hoje na excelente http://palavra-de-viajante.pt/
sem dúvida a melhor livraria de viagens que conheço, e de livros destas, sobre estas, antecipando-as ou contando-as. E também tem outros livros, outros temas, mas que são todos e sempre viagens pelo prazer do tempo e do espaço e das leituras neste, deste.
Comprei vários livros, Edimburgo, na previsão para Novembro, um repetido, mas excepcional "Librerias" de Jorge Carrión,  com forte recomendação, e lá estão as nossas históricas! livrarias.
E além de mais uma reedição de Sophia este:
que tenho que dizer foi uma grande desilusão. Literatura sem chama e cheia de erros, no que se refere as "nossas" coisas, embora não deixe de as colocar nos píncaros.
Talvez porque um livro ofuscado por uma mente pouco tranquila, sem um mínimo de investigação (por exemplo diz que Miguel Torga viveu toda a vida em S. Marinho da Anta, que ele renegou!, entre muitos outros erros até sobre património construído!).
Mas nem sempre a literatura de viagem é boa para essa.
Mas esta livraria é-o sem a mínima dúvida!

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Já tenho entre os "meus" o livro de Jean-Yves Loude sobre #Cap-Vert, notes atlantiques# de 1997, recordo ainda o ter lido  trabalhava na Expo'98, mas até hoje tinha-me escapado este:
que tem a mesma linhagem superlativa de qualidade e envolvimento.
Tem muita coisa que já não existe, apesar de ser de 2003, mas tem registos que também partilhei, memórias e sons e sabores e cheiros e toques que fazem esta Lisboa de todas as cores.
Na livraria das Viagens, a S.Bento, onde se pode viajar para todo o mundo e também para Lisboa, agora negra!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Notas de uma viagem a Portugal e através de França e Espanha (1798)*


"Quinta-feira, Fevereiro 23
Notas de uma viagem a Portugal e através de França e Espanha (1798)*

A primeira coisa que uma pessoa não pode deixar de notar em Lisboa é o mau policiamento. A imundície das ruas está amontoada por todo o lado, nas ruas mais pequenas e estreitas, onde a chuva não a lava, forma verdadeiras colinas, e para uma pessoa não se afundar no meio dela tem de conhecer muito bem o carreiro. (…) Antigamente a cidade era iluminada, agora já não, e como as lojas fecham cedo nada alumia a escuridão das vielas estreitas e mal pavimentadas. Uma horda de cães sem dono que se alimentam à custa do público erra pela cidade como lobos esfaimados e, pior ainda do que estes, é a horda de bandidos. Muitos se admiraram como nós tínhamos ousado, nestes tempos de guerra, viajar para Portugal por terra.(…) Como pode um povo, entre o qual se encontram afinal homens esclarecidos, aguentar horrores deste género, que põe Lisboa ainda abaixo de Constantinopla?(…)
As diversões do Carnaval são sempre feitas segundo o gosto dominante da nação. E em que é que consistirão em Lisboa? Nobres e gente do povo divertem-se em atirar toda a espécie de sujidade e imundície aos passantes que, de acordo com o costume e para evitar maus encontros, aguentam pacientemente este tipo de coisas. Uma encantadora dama de condição despejou um bacio sobre mim, não me deixando qualquer consolo a não ser esperar que o bacio fosse o seu.(…)
Os altos muros das quintas na cidade, os arredores abandonados e desertos convidam ao roubo e ao assassínio, o mau policiamento fomenta-os.(…) A Primavera é a época mais perigosas. Sei de alturas em que se podia contar um assassínio todas as noites.
O criminoso escapa quase sempre, em virtude de uma compaixão verdadeira e genuinamente portuguesa, toda a gente lhe facilita a fuga. Coitadinho, pobre homem, dizem, e tudo lhe corre de feição. "

Nota:
Link é muito mais “meigo” para os portugueses do que Murphy (“Travels in Portugal”, 1797)
*Notas de uma viagem a Portugal e através de França e Espanha / Heinrich Friedrich Link, trad., introd. e notas Fernando Clara. - Lisboa : Biblioteca Nacional, 2005.