quinta-feira, janeiro 21, 2010

Outra vez

Num pequeno País, recém-chegado à Democracia, existiam vários partidos. Passada a época revolucionária, o País passou a ser dirigido ora por um, ora por outro dos maiores partidos (ou sós ou em coligação com um partido de menor dimensão eleitoral).

Um dos dois maiores partidos políticos era muito representativo da Sociedade – transversalmente –, era reformista e os seus militantes gozavam de muita liberdade. Tinha muita implantação local.

Também havia outro partido político muito representativo; embora inicialmente não tão transversal. Ao contrário do primeiro, nada tinha de reformista e primava pelo controlo da sociedade.

Durante uma década em que o primeiro partido governou, o País cresceu... mas depois sucederam-se governos muito despesistas e o País empobreceu.

Certo é que os dois maiores partidos foram ganhando muitos vícios e muita clientela que neles via uma forma de garantir a vida. E esses partidos deixaram de ser tão representativos assim. O Povo cansou-se das dúvidas associadas a negócios em que o País perdia sempre, para alguns ganharem muito. Os escândalos sucediam-se. O Povo cansou-se da ligeireza na condução das responsabilidades políticas. Os outros partidos por vezes cresciam por demérito dos maiores partidos.

Claro que em todos os partidos existiam vozes avisadas e muitas pessoas de bem. Porém, o que predominava era a táctica, a intriga palaciana, os golpes mediáticos, o ego de cada um. Isto atingiu sobretudo o primeiro partido, porque o segundo estava no Poder e tinha uma clientela mais sossegada, porque muito alimentada.

Durante algum tempo ainda foi possível esconder a situação do País. Era preciso que os partidos se entendessem em questões essenciais, mas o que os preocupava era quem "mandava" ou deixava de "mandar", quem aparecia, quem ganhava debates no Parlamento, quem se candidatava ao quê ou quem sucedia a quem.

Mas o País estava muito pobre e as pessoas precisavam urgentemente que os partidos se deixassem de golpes e contragolpes e olhassem para ele. Nada. Os seus dirigentes permaneciam surdos, desdobrando-se em iniciativas internas.

E as pessoas começaram a retribuir, primeiro com desconfiança e depois com desprezo. E os que sabiam ou tinham memória, lembraram-se por que tinha o País atravessado um período negro de quase cinquenta anos, embora as coisas não se fossem repetir exactamente assim.

2 comentários:

Vera Y. Silva disse...

As coisas não se vão repetir exactamente desse modo, mas se as coisas continuarem assim a ideia de uma solução não democrática começará a parecer "simpática" a cada vez mais pessoas. Além do que referiu, há muitos outros "ingredientes". Por exemplo, a inconsciência dos políticos relativamente aos problemas de segurança e o simplismo de considerar que isso são preocupações de extrema-direita e mais nada.

Carlos Medina Ribeiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.