domingo, dezembro 06, 2009

Ciclovias - Análise de um caso concreto

NA AV. FREI MIGUEL CONTREIRAS (um frade que parece que nunca existiu - mas isso agora não interessa...) fizeram-se, recentemente, obras para a criação de uma ciclovia.

Para isso:

Do lado Sul (junto à parede da Refer): onde dantes estacionavam 5 carros em espinha, agora só cabem 2 (e às vezes nem isso - como se vê nas duas imagens inferiores). Com o espaço ganho, passou a haver um passeio de 3m de largura (onde quase não passam peões) e uma ciclovia de 2m (onde quase não passam ciclistas).

Do lado Norte: onde dantes havia 2 fiadas para estacionamento, há agora apenas uma. Com o espaço ganho, passou a haver, ao meio, uma zona de gravilha - onde nem a pé se consegue andar.
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Quem quer fazer um balanço das vantagens e dos inconvenientes deste caso - que, quanto a mim, é paradigmático?
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Actualização: não teria sido possível fazer a ciclovia (e até colocar as árvores) sem eliminar lugares de estacionamento? Veja-se o que sucedeu do lado esquerdo (Norte), onde não há ciclovia nenhuma: só aí, destruíu-se uma vintena de lugares de estacionamento (ordenado, legal e pago) para criar uma zona que nem aos peões aproveita.

12 comentários:

Anónimo disse...

E na ciclovia que começa no Cais-do-Sodré, só os ciclistas têm direito a piso alcatroado, que os peões, se quiseram, que andem pela antiga calçada de pedras.

Abençoada câmara, que tão bem trabalha.

Anónimo disse...

(se quiserem)

Carlos Medina Ribeiro disse...

Acresce que do lado Sul não há casas, e quem vai para a estação da Refer vai por dentro (pelo passadiço, que até tem tapete-rolante!)

Os 3m de passeio não são proporcionais à sua utilidade.

Anónimo disse...

Quer-me parecer (não conhecendo eu todas as ciclovias que apareceram em Lisboa) que têm uma utilização muito reduzida na generalidade, designadamente aos dias da semana, o que se compreende.

Parece-me que a utilização das bicicletas terá outras possibilidades em cidades onde as zonas centrais são densamente habitadas e são planas, coisas que não sucedem em Lisboa. Quem vem da Outra Banda, ou pelo IC19, ou pela A1, etc, fazer o que tiver a fazer em Lisboa, andará de bicicleta aos fins de semana (se andar).

Depois, as ciclovias surgiram como uma febre, feitas às três pancadas e com a intenção de mostrar obra.

Duvido que constituam alguma malha estruturada e concebida com visão.

Anónimo disse...

Carlos,

Eu acho que esse balanço só poderemos fazer daqui a uns anos!

pedrocontrospilaretes

ric.poh disse...

a única coisa de mal que vejo é a anormalidade da 4ª foto... o resultado destas alterações só se irá verificar a médio/longo prazo... ou queriam que começassem a aparecer ciclistas atrás das máquinas de alcatroar... em carnide, aos poucos vão-se vendo mais utilizadores da ciclovia durante a semana..

também digo que as ciclovias não são a melhor solução para haver um grande uso de bicicletas mas num país em que pouco se respeita o próximo, é o que se pode arranjar.. um bocado como os pilaretes nos passeios...

ricardo

Carlos Medina Ribeiro disse...

Não está em causa a bondade das ciclovias. Como se diz no título, o que se pede é que se olhe para este caso concreto.

1 - Numa sociedade urbana moderna, tem de haver um equilíbrio. Deve haver lugar para o peão, para o ciclista, para o automobilista - e até para a camioneta de abastecimentos.

2 - Aqui, temos um passeio de 3 m numa zona onde quase não há peões (nem vai haver, porque as casas são do outro lado), e a abolição de dezenas de lugares de estacionamento. Criou-se um desequilíbrio desnecessário.

3 - Se se quer - e bem! - que as pessoas deixem o carro em casa, não se pode, ao mesmo tempo, tirar-lhes os lugares.
Foi o que aqui sucedeu e eu sei do que falo, pois sou morador na zona (e até pago a taxa de estacionamento de residente).

4 - Resumindo e concluindo: tudo indica que quem projectou este trabalho não conhece minimamente a realidade do bairro.

João Paulo disse...

SIM às ciclovias. SIM aos passeios espaçosos. NÃO às obras às 3 pancadas, feitas por gente que não conhece minimamente a realidade do bairros.

Espero ter respondido ao seu caso concreto, Sr.Carlos.

Carlos Medina Ribeiro disse...

Eu talvez não me tenha explicado bem:

Conheço a zona há 57 anos, e posso garantir que teria sido possível fazer a ciclovia (e até colocar as árvores) sem destruir um único lugar de estacionamento.

Veja-se o que sucedeu do lado esquerdo das imagens, onde não há ciclovia nenhuma:
Destruíram-se uns 20 lugares de estacionamento (ordenado, legal e pago) para criar uma zona com gravilha... que nem aos peões aproveita, pois não se consegue lá andar.

Carlos Medina Ribeiro disse...

Todos nós, como peões, queremos passeios amplos, com bom piso, sem carros, etc.
Mas esses passeios devem ser feitos... onde haja peões!

No caso das imagens da direita, sucede ainda uma coisa curiosa:

Como o piso da ciclovia é mais liso do que o do passeio, é naquela que circulam os poucos peões que por ali passam...

Anónimo disse...

Foi para uma coisa parecida com que o sr. CMR mencionou no último parágrafo do último comentário que eu chamei a atenção no primeiro comentário a este post...

O pessoal que superintendeu a construção das ciclovias, se não tem outras limitações, tem pelo menos uma: é manifestamente incompetente.

Anónimo disse...

"No caso das imagens da direita, sucede ainda uma coisa curiosa:

Como o piso da ciclovia é mais liso do que o do passeio, é naquela que circulam os poucos peões que por ali passam..."

O que remete para esse verdadeiro anacronismo lisboeta: os passeios da cidade. Preservar-se a calçada, como a conhecemos, em zonas históricas, ou onde isso seja esteticamente relevante, sem dúvida. E então preservar mesmo! Mas insistir-se em calcetar os passeios, por todo o lado - novas ruas e bairros incluídos -, apenas para que esses passeios se deformem sem apelo nem agravo, se levantem paralepípedos, e sejam escorregadios como sabão, em dias de chuva - ou simples "humidade" -, tornando-se verdadeiras armadilhas para pessoas menos ágeis (e não só)...

Em nome de que superior valor?

Costa