segunda-feira, julho 21, 2008

Ainda o favorecimento da Fundação José Saramago

A concessão da Casa dos Bicos à Fundação Saramago resume-se a isto: a entrega pelo poder municipal socialista, em processo camarário estranhamente acelerado e dispensador de burocracias, de um monumento nacional e marco histórico de Lisboa, a um escritor que já é mais espanhol do que português, para que este possa ter um lugar onde arrumar a biblioteca e a papelada, e fazer umas vagas iniciativas de "agitação". Tudo à custa da bolsa benemérita dos cidadãos, em vez de ser a expensas da fundação, como sucederia numa cidade normal governada sem favoritismos, tratmentos de excepção e complexos de reverência cultural.

4 comentários:

Carlos Medina Ribeiro disse...

Com tanto dinheiro mal gasto por aí fora (*) não vejo 'grande mal' no facto de a Cidade se associar a um prémio Nobel. Só a honra.

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(*) Só na recuperação das casas vandalizadas na Quinta da Fonte vão os contribuintes pagar mais de 200 mil euros - fora o resto que se sabe mais o que não se sabe...

Eurico de Barros disse...

Como lisboeta, dispenso tal "honra". E dispenso Nóbeis, sobretudo dos que desposam ideias iberistas e anti-portuguesas, mas estão sempre abertos a que lhes passem a mão pelo pêlo no país de origem. Quero é uma cidade cada vez melhor no que realmente interessa a quem nela vive. A fundação que pague. Já basta o escândalo do Berardo no CCB.

Arq. Luís Marques da silva disse...

Vi, ouvi e pensei sobre este tema de entregar a Casa dos Bicos á fundação José Saramago; não me afligirá tanto assim o facto de ser para quem é com as suas tiradas antipatrióticas quase a chegar ao "refogado".
O que para mim está de facto em causa, é a possibilidade de ser destruído um valioso património, nomeadamente o existente ao nível das fundações, porque ainda não se sabe nada do projecto definitivo e em que moldes, serão executadas as obras daí advenientes. Preocupa-me também a forma gratuíta como hoje em dia, são atribuídos os estatutos de fundação e o facilitismo com que se doa ou empresta o património nacional, atribuindo edifícios para as mesmas .
Uma fundação, presume uma mais valia para o estado, contribuindo com o fomento de áreas que sejam de grande interesse nacional. Uma fundação presume uma fonte de rendimento suficiente para se auto sustentar; uma fundação presume possuir um edifício, onde possa ficar sediada (exemplos da Gulbenkian, Espirito Santo, Cupertino de Miranda, Serralves,e por aí fora).
Quando se invertem os papéis e se começa a permitir a criação de fundações a todos os que assim o desejem, por mais ilustres que sejam e ainda por cima é o próprio estado que fornece os meios de subsistência para a sua existência, pergunta-se onde fica o interesse de instituir uma fundação?

A. Castanho disse...

Sim, boa pergunta...


Ant.º Castanho.